Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]



O período de submissões para a Lusitânia nº3 está aberto até dia 31 de Maio de 2014.




Contactos:
revistalusitania@gmail.com

Goodreads

Lusitânia (Lusitânia, #1)

Visitas

Website Usage Statistics


Reviews #13

Terça-feira, 29.01.13

Sofia Romualdo

Link

 

O projecto Lusitânia preenche uma lacuna existente desde há muito no panorama da ficção especulativa portuguesa (com algumas notáveis excepções, claro): a fantasia e ficção científica inspirada por e inserida num contexto cultural português. É certo e sabido que Portugal tem uma cultura e Histórias ricas em potencial não explorado, pelo que posso desde já dar os parabéns ao Carlos Silva, à Alexandra Rolo e à restante equipa da Lusitânia pelo trabalho desenvolvido, e votos de que o projecto continue.

Em relação ao primeiro número, no geral, gostei, embora tenha alguns pontos negativos a referir. A experiência com o Almanaque Steampunk 2012 fez-me ter uma nova apreciação pelo trabalho editorial - há imensos desafios escondidos e por mais que se tente nunca é possível fazer um trabalho perfeito, pelo que todas as minhas críticas são no sentido de melhorar o trabalho para uma próxima edição. 

Sendo assim, e começando pela capa, gosto da imagem, mas considero-a demasiado escura - algo arriscado, especialmente quando estamos a lidar com impressão digital. O design, no geral, é adequado, mas, tal como outros leitores já mencionaram, alguns dos fundos dificultam a leitura, quer por terem um padrão demasiado chamativo, quer por serem demasiado escuros, perdendo o contraste com o texto. Aconselharia também a indicação do nome do autor no início de todos os contos. No entanto, as ilustrações funcionam bem e gosto do tipo de letra.

Quanto aos contos em si:

"Sonhos Numa Noite de Natal" de Marcelina Leandro: Quem me conhece sabe que adoro sonhos (estou até a trabalhar numa história com esta temática) pelo que gostei imenso deste conto. A ideia é engraçada e está bem trabalhada. Foi das poucas vezes que senti que um conto tinha o tamanho certo para a história que pretendia explorar.

"Vinho Fino" de Inês Montenegro: Um dos contos que mais me agradou. Adorei a ideia dos parasitas e o modo como se alastraram. O ambiente típico das vinhas do Douro foi aqui muito bem utilizado. Espero em breve ler mais trabalhos desta autora.

"Como Portugal foi Salvo pelos Pastéis de Nata" de Catarina Lima: Infelizmente, não fiquei nada impressionada com este conto. A história arrasta-se no início e acelera demasiado num final pouco credível. O mundo tem potencial, mas este conto parece um first draft (os erros e gralhas não ajudam).

"A Guerra do Fogo" de Nuno Almeida: Embora fosse fácil adivinhar quem é a personagem de que o conto trata (retirando um pouco de força à revelação final) o conto é bom e utiliza de forma fantástica uma época da cultura lusitana que, a meu ver, foi ainda muito pouco explorada. Um autor a seguir.

"A Cidade das Luzes" de José Pedro Lopes: A ideia das auras tornadas visíveis e das consequências na sociedade é original e tem potencial. Penso que o conto perdeu um pouco por ter tentado dar uma explicação científica ao fenómeno, o que para mim teve apenas a consequência de lhe retirar credibilidade. O mesmo aconteceu com o enredo que envolveu o ministro e o trio amoroso. Em suma, uma ideia original, um mundo interessante, com potencial para uma história melhor (talvez, quem sabe, em formato de livro).

"A Passagem Uivante" de Pedro Cipriano: Um conto que transmite bem o lado humano da guerra, e a desvalorização da vida e emoções humanas quando tudo o que importa é o poder e o dinheiro. Uma guerra vista pelos olhos de quem a vive de forma mais próxima, e que muitas vezes é também quem a menos compreende (ou melhor compreende a sua futilidade). Um bom trabalho, mas gostaria de ter passado mais algum tempo com as personagens, de modo a fortalecer a empatia emocional que o conto requer.

Carta da Clockwork Portugal: Aqui sou suspeita, admito. Quem não leu o Almanaque Steampunk 2012 provavelmente vai ficar confuso com a inclusão deste texto, que faz a ponte entre as duas publicações (tanto a carta do Almanaque como a deste livro foram escritas pelo André Nóbrega). Só achei que faria mais sentido se tivesse sido colocada no fim do livro, mas é uma questão de preferência pessoal. 

Os meus parabéns à equipa e aos autores por este novo projecto!

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Pantapuff às 10:46


Pesquisar